sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Problemas Ecológicos e o Juizo Ético - O Problema do Desmatamento 2:



Em sua obra sobre a Amazônia, Betty MEGGERS mostra que ela formava no passado um sistema ecológico perfeito e que os vários elementos da flora e fauna se interpenetravam e se completavam dando equilíbrio necesário para a sobrevivência de todos (1), mas a após a chegada dos exploradores europeus no século XVI e, notadamente a partir de 1615, quando a competição entre portugueses, ingleses, holandeses e franceses pela região se acimou, este equlíbrio foi quebrado (2).
A partir daí aconteceu uma "superexploração" da terra em torno das grandes concentrações, provocou uma acentuada e provavelmente irreversível deterioração do solo e da vegetação, causando a extinção local de muitas espécies de aves e outros animais"(3).



A região Amazônica é uma região muito importante para o Brasil e mesmo para o mundo, o que justifica o interesse de nosso governo de ocupar a região(4). mas, esta ocupação deve ser feita levando-se em conta a preservação da floresta para não transformarmos a região em um grande deserto. Como indicou Augusto RUSCHI:

"O O gigantismo da floresta Amazônica é resultante do clíma úmido e quente, com a ação permanente dos demais fatores biológicos e a vegetação dos demais pisos que ela abriga, impedem que o solo seja arrastado pelas águas; entretanto uma vez retirada a floresta, acaba a cobertura protetora que uma mata virgem oferece e as chuvas tropicais se precipitam com todo o seu peso e vigor, sobre o solo, que passa a ser desgastado pelas águas movimentando-se, e a camada de húmos é destruída, lixiviada; tornando esse solo infértil; na fase seguinte, vem a laterização, infelizmente em grande porção da Amazônia, vem sendo seguido esse caminho, para a implantação lenta, mas segura, do nosso futuro grande deserto; esse erro, no domínio da preservação ecológica, nos será muito caro"(5).
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  1. Betty J. MEGGERS - Amazônia: a ilusão de um paraíso. pp.. 21-23 (Introdução), 25-58 (ecossistema).
  2. Betty J. MEGGERS - Amazônia: a ilusão de um paraíso. p.184.
  3. Betty J. MEGGERS - Amazônia: a ilusão de um paraíso. p.186.
  4. Augusto RUSCHI - "Considerações sobre o Meio Ambiente" in CM. Rio de Janeiro, XXVIII (333): 45-65, dez. 1982, p.59.
  5. Cf. Arthur C. F. Reis - Problemática da Amazônia. Rio, Ed. Casa do Estudante, 1969; IDEM - O impacto da Amazônia na Civilização Brasileira : a Transamazônica e o desafio dos trópicos. Rio, Paralelo, 1972.
  6. Augusto RUSCHI - "Considerações sobre o Meio Ambiente" in CM. Rio de Janeiro, XXVIII (333): 45-65, dez. 1982, p. 59.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Problemas Ecológicos e o Juizo Ético - O Problema do Desmatamento 1:


O problema do desmatamento é outro importante problema ecológico. As grandes florestas surgiram no sedimento glacial e logo criaram mais solo para outras florestas e, assim por diante. Este processo contínuo foi interrompido pela primeira vez uns duzentos anos atrás quando os homens cortaram a maioria das matas (1). O desmatamento irracional acelerou-se principalmente nos últimos decênios do século XX e, entre 1950-1980, 25% de florestas da Terra foi devastada. A floresta Amazônica, uma das principais do mundo já possuá em fins de 1989, 404 mil quiometros quadrados desmatados e, nos últimos vinte anos a cobertura vegetal nativa do Paraná baixou de 83% para apenas 5%, enquanto a Mata Atlântica que em 1830 se achava íntegra e oferecia uma extensão transversal da ordem de 300 km a altura do meridiano do Rio de Janeiro foi "cabalmente destruída como bem de consumo, na sua flora, fauna, equilíbrio fluvial, regime meteorológico, tudo em menos um século e meio"(2). Na Europa Setentrional, no leste dos Estados Unidos e no Japão as áreas florestais foram substituídaspor campos de cereais e o reflorestamento de terras erosadas visando o restabelecimento do ambiente natural tornou-se muito caro e lento (3).



A Amazônia é um dos grandes exemplos do problema do desmatamento e da depredação do meio-ambiente. Uma grande literatura tem marcado a análise da Amazônia (4) e o ecossistema representado pela Amazônia tem merecido especial destaque, mas algumas conclusões e propostas estão carregadas de ideologia e interesses escusos.
Também alguns projetos governamentais para facilitar a ocupação da região Amazônica através da atuação de grandes estatais aparecem carregados de ideologia como indicam os dois autores citados aqui:

"A política ambiental do Estado, em suma, é um aparelho de despolitização do ambiente, parte de uma ofensiva ideológica que visa a facilitação política da implantação de grandes projetos na Amazônia. Tal ofensiva pode ser acompanhada na proliferação de anúncios e matérias pagas da Eletrobrás, Companhia Vale do Rio Doce e congêneres onde se apregoam os zelos ambientais e sociais de obras como Itaipu, Tucuruí, Projeto Ferro-Carajás, etc.; na instituição de prêmios de ecologia e no financiamento de documentários 'ecológicos' por estas mesmas agências..."(5).

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  1. Bill McKIBBEN - O fim da Natureza, p.41.
  2. LAROUSSE CULTURAL - Brasil A/Z. p. 261 verbete desmatamento. No Brasil o desflorestamento começou já em 1504 com a remessa para Lisboa de 700 toras de pau-brasil. Cf. Hélio de Almeida BRUM - "Biomassa: alternativa energética brasileira" in CM. Rio de Janeiro, XXV (299): 21-30, fev. 1980, p.24.
  3. Glycon de PAIVA - "Complexo Ecológico, miséria urbana e atividade econômica" in CM. Rio de Janeiro, XXXI (363): 15-30, junho 1985, p. 16.
  4. Arnold J. Toynbee- A Sociedade do Futuro, p.37.
  5. Cf. a respeito, Angelo BITTENCOURT - "Aspectos da pesca na Amazônia" in BSBG, 1:137-144, 1950-1951; Betty J. MEGGERS - Amazônia: a ilusão de um paraíso, passim; P. T. ALVIM - "Perspectivas de produção agrícola na região Amazônica" in Interciência. Caracas, 3 (4): 243-251, 1978; V. M. AYRES e R. Best -"Estratérgia para conservação da fauna Amazônica" in Acta Amazônica. Manaus, 9 (4): 81-101, 1979; Arthur César F. Reis - A Amazônia e a cobiça internacional: IDEM - "Porque a Amazônia deve ser brasileira" in Revista Brasileira de Política Internacional, XI (41/42): 7-16, 1968; Omar Emir CHAVES - "A Amazônia brasileira" im CM. Rio de Janeiro, XXXV (417): 3-21, dez. 1989; E. F. MORAN - A ecologia humana das populações da Amazônia. Petrópolis, Vozes, 1990; K. HUECK - As florestas da América do Sul. São Paulo, Polígono, 1972; G. de PAIVA - "Declarada a guerra Ecológica na Amazônia" in Boletim FBCN, v.15: 152-165, 1980.
  6. Eduardo Viveiros de CASTRO e Lúcia ANDRADE - "Obras do destino: o ambientalismo oficial" in Tempo e Presença, 230: 6-8, 1988.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Problemas Ecológicos e o Juízo Ético - Os Principais Problemas Ecológicos 3:



Os problemas ecológicos ou relativos ao meio-ambiente devem possuir uma análise metódica e clara e a busca de soluções que demandam uma certa urgência, porque a depredação do meio e o consumo desenfreado das últimas gerações provocam um esgotamentodos recursos (1). Alguns desses problemas, como a utilização cada vez maior de processos tecnológicos e de adubos químicos podem levar não só ao esgotamentodo solo, mas também a uma pertubação na saúde do ser humano. Isso sem contar no desiquilíbrio biológico do globo (2).



A chuva ácida é um dos principais problemas. Ela é resultado do processo desenfreado de industrialização onde a emissão de dióxido de enxofre, em combinação com óxido de nitrogênio e com as águas da chuva, transforma-se em partículas ácidas que se depositam na vegetação, nos rios e lagos, provocando contaminação dos alimentos e diversas enfermidades respiratórias nos seres vivos. O efeito tem sido terrível tanto sobre as pessoas como sobre os peixes que praticamente desapareceram da Noruega e da Suécia (3).



Outro problema dos mais dramáticos é o da redução da camada de ozônio destruída por gases industriais como o clorofluorcabonos (CFCs) e os halons que foram detectados em altitudes de 50 mil metros. A partir de 1970 descobriu-se que esta destruição estava se acelerando (4) e a destruição da camada de ozônio faria desaparecer a proteção da vida das radiações ultravioleta que provocariam tumores da pele e o enfraquecimento do sistema de imunização. Nos dias de hoje os especialistas cauculam que para cada ponto percentual de diminuição de ozônio aparecem só nos EUA dez mil novos casos de câncer de pele (5).




O efeito estufa que mantém o planeta aquecido é outro problema importante. Ele foi tratado longamente por Bill McKIBBEN (6) que o considera como o mais importante, aquele que marca realmente "0 fim da Natureza" devido a mudança climática que promove. A mudança do clima poderá provocar o derretimento da calota polar com a consequente elevação do nível do mar e a inundação de várias regiões cobrindo totalmente as Maldivas (que se encontram a apenas dois metros acima do nível do mar) ou inundando 20% do território de Bangladesh e o 1% do território essencial do Egito (7). O efeito estufa é mais um problema resultante do nosso modelo atual de desenvolvimento, pois é provocado pela queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão) que desprendem o dióxido de carbono e outros gases. Estes gases associados ao desflorestamento (através da fotossíntese dos vegetais que absorvem dióxido de carbono) produzem uma espécie de estufa que produz o aquecimento da Terra. Só para os próximos cem anos está previsto um aumento de temperatura de 1,5° C a 5,5°C (8). Um tremendo desastre.
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  1. René HUYGHE e Daisaku IKEDA - A noite clama pela alvorada, pp. 32-34.
  2. René HUYGHE e Daisaku IKEDA - A noite clama pela alvorada, pp.28-29
  3. Leonardo BOFF - Ecologia, mundialização, espiritualidade, p. 23.
  4. Cf. LAROUSE CULTURAL - Brasil A/Z, p.584.
  5. Leonardo BOFF - Ecologia, mundialização, espiritualidade, p.23.
  6. Bill McKIBBEN - O fim da natureza, pp. 20-23, 28-31, 35-40, 56, 98, 107, 110, 124, 130, 138, 142-144, 153, 165, 170, 180-181, 197.
  7. Bill McKIBBEN - O fim da natureza, p.112.
  8. Leonardo BOFF - Ecologia, mundialização, espiritualidade, pp. 23-24.
  9. Pe. Fernando BASTOS DE ÁVILA S.J. - "Ética e Sociedade" in CM. Rio de Janeiro.XXXV (417): 53-59, dez. 1989 p.58.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Problemas Ecológicos e o Juízo Ético - Os Principais Problemas Ecológicos 2:


A violação da natureza tem sido geral em todas as partes do mundo e o historiador TOYNBEE chamava a atenção para a conjugação de dois fatores neste processo de destruição:
"Um deles é o acelelerado avanço da tecnologia e outro é a explosão demográfica possibilitada por esse avanço tecnológico. A conquista humana da natureza tem sido brilhante mas o uso inadequado desastroso" (1).

Desta forma, a solução dos problemas ecológicos e, principalmente o restabelecimento da paz e da harmonia com a natureza deve ser buscado pelo homem, tornando-se segundo um conceituado autor, "o imperativo básico de nossa era" (2). Mas o equilíbrio do homem com a natureza só pode ser conseguido com a mudança de mentalidade, "que libertará nosso mecanismo mental do... materialismo racionalista..."(2).
Na verdade, como indicou René HUYGHE, ilustre escritor e humanista francês,

"é preciso deixar de acreditar cegamente no determinismo matemático e nessa constante causa-efeito. Deve-se admitir que a natureza tem forças corretivas que agirão e que serão o que a chamada Providência é para as religiões" (3).

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  1. Aurélio PECCEI e Daisaku IKEDA - Antes que seja tarde demais, p.31.
  2. René HUYGHE e Daisaku IKEDA - A noite clama pela alvorada (Um diálogo do Oriente com o Ocidente sobre a crise Contemporânea), p.41.
  3. René HUYGHE e Daisaku IKEDA - A noite clama pela alvorada, pp.28,32-34.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Problemas Ecológicos e o Juizo Ético - Os Principais Problemas Ecológicos e a Ética 1:




Em nosso mundo atual problemas ecológicos diversos começam a inquietar-nos como pessoas. Problemas como desmatamento, a poluição, o grande crescimento populacional, a desertificação, as queimadas, o efeito estufa, a chuva ácida, a destruição da camda de ozônio, a miséria, a fome e o próprio sentido do progresso e do desenvolvimento que geram cada vez mais desigualdade, devem ser aqui considerados (1). Estes problemas que são resultantes de uma situação de expansão de nossa civilização (2) acabaram por provocar um desiquilíbrio entre a biosfera que o homem herdou e a tecnosfera que ele criou. O conflito entre as duas é claro nos dias de hoje e, o homem, tal qual o aprendiz de feiticeiro, está no meio de uma grave crise que ele mesmo provocou e terá de solucionar (3). Uma solução que, segundo Antônio MOSER (4), Fernando BASTOS ÁVILA (5) e Arnold TOYNBEE (6) -, é de natureza ética e técnica e não apenas técnica. Talvez possamos mesmo afirmar com o historiador TOYNBEE, que esta solução é mais ética do que técnica. Também Aurélio PECCEI assinalou isto ao escrever:
"Como pré-requisito, nossas políticas de conservação a longo prazo deveriam ser inspiradas por uma nova ética de vida baseada no reconhecimento de que qualquer dano que causemos à capacidade de sustento de vida do planeta recairá sobre nós e, mais genericamente, que nossa situação e qualidade de vida no futuro dependerão, em um grau nunca antes imaginado, de nossa atitude para com as outras criaturas que povoam a Terra" (7).
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  1. Cf. a respeito, Antônio MOSER - O problema ecológico e suas implicações éticas, pp. 8-10,13; LAROUSSE CULTURAL - Brasil A/Z, p. 275, verbete ecologia; Bill McKIBBEN - O fim da Natureza, pp. 22,25-26, 28-29; Jacques VIDAL - "Ecologie et Religion" in Paul POUPARD - Dictionnaire des Religions, vol. I, pp. 570-572, 1993, p.570.
  2. Barbara WARD e René DUBOS - Uma terra somente, p.47 afirmam: "O certo é que nossas bruscas e amplas acelerações - no crecimento demográfico, no uso de energia e de novos materiais, na urbanização, nos ideais de consumo e na poluição consequente - colocaram o Homem tecnológico num curso que poderia alterar, perigosa e talvez irreversivelmente, os sistemas naturais de seu planeta, dos quais depende sua sobrevivência biológica".
  3. Barbara WARD e René DUBOS - Uma terra somente, p.48. Cf. ainda considerações de Aurélio PECCEI a respeito do conflito entre a biosfera e a tecnosfera em Aurélio PECCEI e Daisaku IKEDA - Antes que seja tarde demais, p.24: "A consequência será uma degradação permanente e cada vez mais grave do nosso ambiente biológico".
  4. Antônio MOSER - O problema ecológico...pp. 69-73.
  5. Pe. Fernando BASTOS DE ÁVILA S.J. - "O desafio ecológico" in CM. Rio de Janeiro, XXIV (285): 11-18, dez. 1978, p.15.
  6. Arnold J. TOINBEE e Daisaku IKEDA - Antes que seja tarde demais, p.24, Cf. para a exigência de uma Ética e dos problemas políticos qua a Ecologia suscita, Jacques VIDAL - "Ecologie et Religion" in Paul POUPARD - Dictionnaire des religion, 1993, Vol. I, pp. 570-572, , p. 571.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ecologia e Ideologia 10:


Continuemos hoje com comentários acerca do livro Nosso Futuro Comum. A idéia básica do documento continua sendo o do crescimento econômico: "Os problemas ligados à pobreza só podem ser resolvidos sob nova era de crescimento econômico. Nenhum país é capaz de desenvolver-se isoladamente porque a base do desenvolvimento sustentável exige fluxos de comércio, de capital e de tecnologia"(1). O livro toca em importantes problemas econômicos e ecológicos como a pobreza, o aumento populacional, a fome, a produção de alimentos, a dívida externa da América do Sul, o nível baixo da tecnologia dos países em desenvolvimento, desmatamento e desertificação branda, moderada e grave, etc. O livro se baseia principalmente em importantes análises de economistas e em dados colhidos com mais de setecentos especialistas ouvidos em todo o mundo. Como vocês poderão notar a partir da análise que estamos fazendo nestas postagens que recebem o título de Ecologia e Ideologia, a Ideologia é um ponto importante não apenas na compreensão dos problemas ecológicos, mas na própria busca de soluções. A verdade é que por trás de certas ideologias está a tentativa de preservação do atual modelo econômico e de desenvolvimento, ao invés de um verdadeiro reaprendizado do que seja a vida. A mudança da própria concepção de mundo é que se faz necessária, mas o homem resiste a isto. Bill McKIBBEN, depois de assinalar que precisamos substituir "uma idéia do mundo por outra" (2). afirma que isto é sempre difícil no ser humano: "Procuraremos qualquer razão para não mudarmos nossas atitudes; a inércia da ordem estabelecida é poderosa. Se pudermos pensar numa razão plausível - ou mesmo implausível - para descartar as adversidades ecológicas, assim faremos"(3). Também o Pe. Fernado de BASTOS DE ÁVILA S.J. critica os anti-valores que norteiam o nosso mundo (altos padrões de consumo, escalada armamentista, exarcebação dos nacionalismos e tentativa de transformar o subdesenvolvimento em uma função permanente) e comenta: "Seria ingênuo, por exemplo, imaginar que os homens aceitassem espontaneamente a modificação de seus padrões de consumo, que se decidissem a buscar novas formas de realização humana e baixos custos ecológicos, numa palavra, a procurar uma alternativa para a sociedade de consumo" (3). Concluindo essa nossa conversa que esteve presente nas dez últimas remessas, diremos que o que se necessita realmente é rejeitarmos o atual modelo de desenvolvimento que levou à existência de países superdesenvolvidos e subdesenvolvidos, com injustiças sociais e depredação do meio-ambiente. Isso já é assunto para os próximos dias onde estaremos escrevendo algo sobre os problemas ecológicos e o juizo ético. _______________________________________________
  1. Glycon de PAIVA - "A Comissão Mundial...", cit., 28.
  2. Bill McKIBBEN - O fim da natureza. p.106. também Antônio MOSER, O problema ecológico... p.71 afirma que o problema "presupõe uma restruturaçãocompleta do modo de viver e relacionar-se, seja com a Natureza, seja com os outros homens".
  3. Bill McKIBBEN - O fim da Natureza, p.190.
  4. Pe. fernando de BASTOS DE ÁVILA S.J. - "O desafio ecológico" in CM. Rio de Janeiro, XXIV (285): 11-18, dez. 1978, p. 16. A busca de uma alternativa para a atual sociedade de consumo parece ser a cada dia, uma necessidade imperiosa.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

NEOLIBERALISMO

Ecologia e Ideologia 9:


A questão ideológica ganha ainda mais importância nos dias de hoje com o surgimento do neoliberalismo. A ideologia neoliberal considera insubstituível a iniciativa individual e a economia de mercado, além do mecanismo livre dos preços (1). A aplicação dos postulados do neoliberalismo na consideração do meio ambiente seria desastrosa pois ele tem como característica a "apropriação privada dos bens públicos" e, considerando "que as condições ambientais são o suporte da vida, apropriar-se destes recursos e gerenciá-los de acordo com interesses privados significa deter o poder de determinar a qualidade e, até mesmo, a possibilidade de vida para uma coletividade"(2). O Neoliberalismo apresentaria assim uma espécie de prolongamentos da ideologia desenvolvimentista e seria tão nocivo quanto este. Outro acontecimento importante para a luta ecológica foi a criaçãod Comissão Mundial sobre Meio-Ambiente e Desenvolvimento em 1983 por iniciativa da Assembléia Geral das Nações Unidas. A presidência da Comissão foi entregue à norueguesa Gro Harlem Brundtland e, depois de estudar os problemas ecológicos durante três anos foi feito um relatório final que foi transformado em um livro intitulado Nosso Futuro Comum e publicado em várias línguas. Esta obra contém importantes colocações, inclusive relacionando o problema da pobreza com a ecologia, mas insiste ainda na noção de um "desenvolvimento sustentável", permanecendo dominado ainda pela ideologia desenvolvimentista. O "desenvolvimento sustentável é aquele que atende à necessidade imediata sem comprometer o futuro" (3). Sobre o problema da relação entre pobreza e neio ambiente aparecem algumas idéias interessante como essa que resolvemos destacar aqui: "Pobreza mundial e, simultaneamente, causa e efeito consequüente a problemas ambientais. por que problemas ambientais do Mundo são a causa essencial da pobreza mundial e da desigualdade internacional"(4). ________________________________________________________
  1. Cf. sobre o Neoliberalismo, Carlos Ruiz DEL CASTILLO - "Neoliberalismo" en DCS, v. II, pp.814-815; Paul HUGON - História das doutrinas econômicas, pp. 162-163; Emile JAMES - O pensamento econômico de século XX, v. I, pp. 255-257; Louis BAUDIN - Estatização ou Economia livre? A aurora de um novo liberalismo, pp. 180-182, 185-192, 205-206.
  2. CNBB - "A Igreja e a questão ecológica", cit., p. 213.
  3. Cf. resumo e citações em Glycon de Paiva - "A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente. Origem e ação" in CM. Rio de Janeiro, XXXV (420): 23-35, março 1990.
  4. Glycon de PAIVA - "A Comissão Mundia...", cit. p..25.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL

Ecologia e Ideologia 8:


A gravidade do problema que estamos discutindo nessas últimas remessas deste blog mostra as dificuldades que encontramos ao colocarmos a Ecologia e a Ideologia frente a frente. Diríamos que vivemos um tempo que exige a todo instante redimencionamentos nas discussões sobre ecologia. Não se trata mais das realidades como nos primeiros movimentos preservacionistas e ambientalistas surgidos no Primeiro Mundo de uma luta "poética" ou de mera preservação do verde. A luta ecológica é uma luta política, econômica e, sobretudo, ideológica no sentido de ir ao cerne da questão. Como assinalou Ruy MOREIRA, o trabalhador inconscientemente ou não, "reage contra o uso do seu trabalho e da natureza que fazem os que dela se apropriam" (1). A visão é bem diferente da visão tradicional que nos proporciona o "ecologismo", cuja a pregação acabou incorporada pelo sistema dominante. O Terceiro Mundo, no entanto ao buscar um novo modelo mais justo e que ao mesmo tempo preserve a vida e supere a pobreza, pode incorporar algumas das preocupações ambientalistas de movimentos ecológicos europeus que estão na base de muitos problemas angustiantes vividos pelos habitantes do Terceiro Mundo(2). O Brasil na década de 70 mergulhou profundamente no sistema capitalista internacional, seguindo uma política desenvolvimentista. Alguns dos grandes projetos tocados a partir desta política, que aparecem em nossa memória neste momento, como a Hidroelétrica de Tucuruí, a Rodovia Transamazônica, o Polonordeste e outros, provocaram e ainda provocam grandes desastres ecológicos e depredação do meio ambiente (3). ________________________________________________-
  1. Ruy, MOREIRA - "Geografia, ecologia, edeologia a totalidade homem-meio espaço e processo de trabalho" in Geografia Teoria e Crítica. Petrópolis, vozes, 1982.
  2. Maurício, WADMAN - "Ecologia na perspectiva dos trabalhadores" in Tempo e Presença, 230: 4-5, maio 1988.
  3. Flávio LIMONCIC - "Impactos ambientais dos grandes projetos" in Tempo e Presença, 230: 9-10, maio 1988.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A TERRA ESTÁ DOENTE

Ecologia e Ideologia 7:



O assunto que tratamos em nossa útima postagem acaba por apresentar vários outros problemas - novas peças para o mesmo jogo. Em primeiro lugar os países industrializados que produziram grande parte da atual contaminação do meio ambiente não querem diminuir as suas riquezas e mudar o estilo de vida dos seus habitantes e acenam para os países subdesenvolvidos procurando mostrar a sua responsabilidade na preservação do meio ambiente. Os países subdesenvolvidos temem criar obstáculos às suas economias em crescimento e exigem cada vez maior ajuda econômica para tomar medidas ecológicas (1). Nos países do Primeiro Mundo, os organismos ambientalistas e de defesa dos povos indígenas pressionam para que as instituições multilaterais de desnvolvimento condicionem a aprovação dos empréstimos à adoção de medidas de preservação do meio ambiente (2).
Seguindo essa linha, instituições como o Bird e o BID condicionam a liberação de fundos para o desenvolvimento às questões ambientais (3), utilizando a ecologia como pretexto para o monitoramento e uma ingerência nos países subdesenvolvidos. A própria "ajuda" dos países ricos aos subdesenvolvidos tem ficado bem abaixo do necessário (4).
A verdade é que os problemas ecológicos vão exigindo uma remodelação de nossas idéias e a derrubada de certas ideologias. A partir de um relatõrio do Clube de Roma (1972) já se admitiam Os limites do crescimento (5) e muitos ecologistas já se questionam sobre a existência do próprio futuro devido ao fato de Gaia (a Terra) estar doente (6).

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  1. Bil Mc KIBBEN - O fim da natureza. p. 194 assinala que 0 "pensamento de que as pessoas que vivem na pobreza, quer seja a pobreza desesperada ou apenas a pobreza deprimente reprimam seu desejo de uma vida marginalmente melhor só por causa de algo como o efeito estufa é absurdo".
  2. Steve SCHWARTZAWAN - "Desenvolvimento, meio ambiente e povos indígenas" in Tempo e Presença, 230: 11-13, maio de 1988.
  3. Mary Helena ALLEGRETTI - "Natureza e política externa brasileira" in Tempo e Presença, 230: 14-15, maio 1988.
  4. G. BARRACLOUGH e G. PARKER - Atals da história do mundo, 295.
  5. D. MEADOWS et al. - Limite do Crescimento. São Paulo, Perspectiva, 1972.
  6. Cf. J. LUTZEMBERGER - Fim do futuro? (manifesto ecológico brasileiro). Porto Alegre. Editora Movimento, 1980; IDEM - Gaia, o planeta vivo (por um caminho suave). Porto Alegre, L & PM, 1990.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ecologia e Ideologia 6:


O Movimento Ambientalista Latino-Americano que vem se desenvolvendo a partir de 1980 defende não apenas os valores ecológicos de conteúdo universal (harmonia do ser humano com a Natureza, valorização dos diversos ecossistemas e da vida), mas vai além e possui uma preocupação ética, além de vincular os problemas sociais e ambientais(1). A defesa de uma Ecologia social e, consequentemente de uma educação nova que tenha um enfoque ecológico social (2) representa um passo à frente e serve de base à formação de uma verdadeira ideologia latino-americana que se contraporia às ideologias do Primeiro Mundo. A Confereência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92) que foi realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992 mostrou claramente as profundas divergências entre as nações pobres e ricas e, o quanto o tema da ecologia, pode estar carregado de Ideologia. Embora estivesse grande adesão de governos [185] e a participação de mais chefes de Estado [131] de que em qualquer outro encontro internacional anterior e, apesar de terem sido debatido temas importantes e variados como a poluição, a mudança de clima (3), a pobreza, o meio ambiente, a fome, a enfermidade, o analfabetismo e a preocupante deterioração dos ecosistemas, as conclusões do Programa 21 que foi aprovado e que mostrava a necessidade de cooperação de todos os países (4), não foram inteiramente aceitas pelos países desenvolvidos. O problema da biodiversidade e o direito dos países subdesenvolvidos de conseguirem um reconhecimento mundial e um ressarcimento financeiro pela utilização por parte dos países ricos de seus recusrsos de grande importância medicinal, encontraram forte oposição por parte dos Estados Unidos, embora aqui estivesse presente o então senador e atual vice-presidente Al Gore, que possui preocupações ecológicas. ______________________________________________________
  1. E. GUDYNAS - "O Movimento Ambientalista Latino-Americano: múltiplas sementes de mudança" in REB, 52 (205): 45-63, março 1992.
  2. Cf. Cecília VON SANDEN - "Uma perspectiva da Educação da Educação em Ecologia Social" in REB, 52 (205): 75-83, março 1992. pp. 78-82; Ellen Regina Mayhé NUNES - "Educação ambiental:princípios e objetivos" in Revista de Educação AEC. Brasília, 17 (68): 19-28, abr.- jun. 1988; A. LAGO e J.A. Pádua - O que é Ecologia. São Paulo, Brasiliense, 1984.
  3. Geoffrey BARRACLOUGH e Geoffrey PARKER (org) - Atlas da história do Mundo. p.295.
  4. Geoffrey Parker - Atlas da História Universal, p.305.

AMAZÕNIA PARA SEMPRE:

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ecologia e Ideologia 5:


Amazônia. Um caso particular que queremos apresentar aqui hoje. Este caso é particular pela verdadeira batalha que travam os grupos de ecologistas e ambientalistas estrangeiros com os brasileiros partidários da exploração racional das riquezas ali contidas. Em artigo datado de 12 de fevereiro de 1995 e publicado no caderno Mais! da Folha de São Paulo, Janer CRISTALDO, doutor em letras francesas pela Sorbonne Nouvelle e jornalista, denubcia um plano de organismos internacionais para a formação de uma verdadeira "teocracia" na Amazônia. Segundo o jornalista, que cita inclusive trechos de um documento intitulado "Diretrizes brasil nº4 - Ano 0" produzido sob os auspícios do Christian Chuch World Council e publicado na revista "Afinal" (11/04/80), os participantes de um simpósio realizado na Suiça, depois de considerarem a Amazônia como "patrimônio da humanidade" recomendava que se impedisse ali qualquer exploração dos recursos da região e indicavam: "É nosso dever garantir a preservação do território da Amazônia e de seus habitantes aborígenes, para o seu desfrute pelas grandes civilizações européias, cujas áreas naturais estejam reduzidas a um limite crético" (grifo nosso).
Concluindo, o autor mostra que se o governo brasileiro não tomar providências, a região que possui "o mais rico subsolo da América Latina" ficará de posse não dos indígenas, mas dos Estados Unidos e países europeus (1).
O documento citado pelo jornalista indica que nem sempre os movimentos conservacionistas e ambientalistas do Primeiro Mundo possuem objetivos apenas ecológicos ou estão imunes à ideologia com a qual as nações do norte procuram subjugar as do sul. Estas, no entanto, começam a reagir e a elaborar a sua visão da Ecologia que coloca no centro a Ecologia social e a busca de uma ética sócio-ambiental. José Ramos REGIDOR fala em uma reconversão sócio-ecológica da sociedade, que deve ser uma reconversão profunda no sentido de rejeitar a ideologia desenvolvimentista e criar uma sociedade sustentável, "socialmente justa e ecologicamente sadia"(2).

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  1. Janer CRISTALDO - "Uma teocracia na Amazônia" in Mais! Folha de São Paulo de 12 de fev. 1995, caderno 6,p.3.
  2. J. R. REGIDOR - "Ressarcir dos povos..." in REB, 52, pp. 24-27.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O DIA DA TERRA:

Ecologia e Ideologia 4:


Os movimentos ecológicos nem sempre possuem uma mesma base ideológica. Aqueles movimentos que operam no Primeiro Mundo só questionam aspectos do sistema dominante, mas não questionam a tecnologia e nem a visão antropocêntrica. No Terceiro Mundo se fala na ligação entre Ecologia e justiça social, tratando-se assim da Ecologia Social, de uma Ética sócio-ambiental , partindo para uma visão biocêntrica (1). As análises a partir do Terceiro Mundo procuram corretamente chamar a atenção para o problema da pobreza como básico de qualquer política mundial (2) e ligam mesmo a pobreza com a ecologia, pois nada é menos ecológico do que a pobreza. As diferenças de enfoque entre o Primeiro Mundo e o Terceiro Mundo são significativas, brutais. Quando elementos do terceiro Mundo são censurados por movimentos ambientalistas do Primeiro Mundo por atentarem contra a natureza, isto pode parecer muitas vezes como conspiração sinistra dos países ricos para manter o status quo e, impedir que as populações do Terceiro Mundo saiam da situação de pobreza ou mesmoda miséria absoluta. Isso porque em muitos casos, o que no Primeiro Mundo seria apenas uma simples limitação do excesso de consumismo, no Terceiro mundo seria negar a populações pobres o mínimo necessário para a simples sobrevivência. Portanto, a tese veiculada a partir do Primeiro Mundo de que é necessário colocar um freio no desenvolvimento e no consumo pode parecer ideologicamente suspeita (3) e, é desta maneira que vem sendo recebida. ____________________________________________________
  1. A. MOSER - "Ecologia: Perspectiva Ética" in REB, 52 (205), pp. 10-11; J. P. S MARTINS - Ecologia ou morte. Os cristãos e o meio ambiente. São Paulo, FTG, 1987; E. GUDYNAS - "Étca Ambiente e Ecologia: uma crise entrelaçãda" in REB, 52 (205): 64-74, março 1992.
  2. Leonardo BOFF - "Os pobres como baricentro de uma possível política mundial" in Revista Vozes, 85: 438-451, 1991.
  3. A.MOSER - "Ecologia: Perspectiva Ética" in REB, 52 (205), p.10.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

TRÊS ERRES:

Ecologia e Ideologia 3:


A ideologia elaborada no Primeiro Mundo não leva em consideração o Terceiro Mundo, pois falta a seus formuladores uma visão holística que englobaria a tudo e a todos. A visão da terra como um todo e do destino comum do ser humano e da natureza requer esta visão holística (1) e também pressupõe uma mudança fundamental na própria mentalidade do ser humano que precisa aprender a limitar os seus desejos. Desta forma teríamos três ecologias que seriam a ecologia mental (o ser humano reconciliado consigo mesmo), a ecologia social (o ser humano convivendo em harmonia com os seus semelhantes) e uma ecologia ambiental (o ser humano convivendo em harmonia com os demais seres). Com estas três ecologias e o respeito do homem por seus semelhantes e pelos outros seres, poderíamos entrar em uma era na qual a felicidade de todos seria a tônica (2). Nas áreas econômicas e políticas aparecem medidas de aparente sensibilidade e inspiradas por preocupações ecológicas, mas que na verdade não contestam a ideologia desenvolvimentista ou tentam conciliar esta com as propostas ecológicas. Surgem assim expressões como "ecodesenvolvimento", "eco-políticas" ou "eco-tecnologia" que procuram levar em conta o fator e os problemas ecológicos, mas mantendo a concepção do desenvolvimento. A ligação entre Ecologia e política levou até ao aparecimento dos partidos Verdes que levaram até ao campo político questões como degradação ambiental (com a poluição, doeças, etc.), a necessidade de preservar a natureza e conservar o nosso planeta (3). ________________________________________________________
  1. Cf. R. CREMA - Introdução à visão holística. São Paulo, Summus, 1988; P. A. WEIL - A Consciência Cósmica. Petrópolis, Vozes, 1978; IDEM - Holística: uma nova visão e abordagem do real. São Paulo. palas Athenas, 1990.
  2. Cf. a respeito, F. GUATARI - As três Ecologias. Campinas, Papiros, 1988.
  3. Cf. a respeito, H. R. LEIS et al. - Ecolgia e política mundial. Petrópolis, Vozes, 1991; J. A. Pádua (org) - Ecologia e política no Brasil. Rio de Janeiro, Espaço e Tempo, 1987; C. BENJAMIN - "Nossos verdes amigos X verdes revolucionários" in Teoria e Debate, 12: 6-21, 1990.