sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Problemas Ecológicos e o Juizo Ético - Os Principais Problemas Ecológicos e a Ética 1:




Em nosso mundo atual problemas ecológicos diversos começam a inquietar-nos como pessoas. Problemas como desmatamento, a poluição, o grande crescimento populacional, a desertificação, as queimadas, o efeito estufa, a chuva ácida, a destruição da camda de ozônio, a miséria, a fome e o próprio sentido do progresso e do desenvolvimento que geram cada vez mais desigualdade, devem ser aqui considerados (1). Estes problemas que são resultantes de uma situação de expansão de nossa civilização (2) acabaram por provocar um desiquilíbrio entre a biosfera que o homem herdou e a tecnosfera que ele criou. O conflito entre as duas é claro nos dias de hoje e, o homem, tal qual o aprendiz de feiticeiro, está no meio de uma grave crise que ele mesmo provocou e terá de solucionar (3). Uma solução que, segundo Antônio MOSER (4), Fernando BASTOS ÁVILA (5) e Arnold TOYNBEE (6) -, é de natureza ética e técnica e não apenas técnica. Talvez possamos mesmo afirmar com o historiador TOYNBEE, que esta solução é mais ética do que técnica. Também Aurélio PECCEI assinalou isto ao escrever:
"Como pré-requisito, nossas políticas de conservação a longo prazo deveriam ser inspiradas por uma nova ética de vida baseada no reconhecimento de que qualquer dano que causemos à capacidade de sustento de vida do planeta recairá sobre nós e, mais genericamente, que nossa situação e qualidade de vida no futuro dependerão, em um grau nunca antes imaginado, de nossa atitude para com as outras criaturas que povoam a Terra" (7).
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  1. Cf. a respeito, Antônio MOSER - O problema ecológico e suas implicações éticas, pp. 8-10,13; LAROUSSE CULTURAL - Brasil A/Z, p. 275, verbete ecologia; Bill McKIBBEN - O fim da Natureza, pp. 22,25-26, 28-29; Jacques VIDAL - "Ecologie et Religion" in Paul POUPARD - Dictionnaire des Religions, vol. I, pp. 570-572, 1993, p.570.
  2. Barbara WARD e René DUBOS - Uma terra somente, p.47 afirmam: "O certo é que nossas bruscas e amplas acelerações - no crecimento demográfico, no uso de energia e de novos materiais, na urbanização, nos ideais de consumo e na poluição consequente - colocaram o Homem tecnológico num curso que poderia alterar, perigosa e talvez irreversivelmente, os sistemas naturais de seu planeta, dos quais depende sua sobrevivência biológica".
  3. Barbara WARD e René DUBOS - Uma terra somente, p.48. Cf. ainda considerações de Aurélio PECCEI a respeito do conflito entre a biosfera e a tecnosfera em Aurélio PECCEI e Daisaku IKEDA - Antes que seja tarde demais, p.24: "A consequência será uma degradação permanente e cada vez mais grave do nosso ambiente biológico".
  4. Antônio MOSER - O problema ecológico...pp. 69-73.
  5. Pe. Fernando BASTOS DE ÁVILA S.J. - "O desafio ecológico" in CM. Rio de Janeiro, XXIV (285): 11-18, dez. 1978, p.15.
  6. Arnold J. TOINBEE e Daisaku IKEDA - Antes que seja tarde demais, p.24, Cf. para a exigência de uma Ética e dos problemas políticos qua a Ecologia suscita, Jacques VIDAL - "Ecologie et Religion" in Paul POUPARD - Dictionnaire des religion, 1993, Vol. I, pp. 570-572, , p. 571.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ecologia e Ideologia 10:


Continuemos hoje com comentários acerca do livro Nosso Futuro Comum. A idéia básica do documento continua sendo o do crescimento econômico: "Os problemas ligados à pobreza só podem ser resolvidos sob nova era de crescimento econômico. Nenhum país é capaz de desenvolver-se isoladamente porque a base do desenvolvimento sustentável exige fluxos de comércio, de capital e de tecnologia"(1). O livro toca em importantes problemas econômicos e ecológicos como a pobreza, o aumento populacional, a fome, a produção de alimentos, a dívida externa da América do Sul, o nível baixo da tecnologia dos países em desenvolvimento, desmatamento e desertificação branda, moderada e grave, etc. O livro se baseia principalmente em importantes análises de economistas e em dados colhidos com mais de setecentos especialistas ouvidos em todo o mundo. Como vocês poderão notar a partir da análise que estamos fazendo nestas postagens que recebem o título de Ecologia e Ideologia, a Ideologia é um ponto importante não apenas na compreensão dos problemas ecológicos, mas na própria busca de soluções. A verdade é que por trás de certas ideologias está a tentativa de preservação do atual modelo econômico e de desenvolvimento, ao invés de um verdadeiro reaprendizado do que seja a vida. A mudança da própria concepção de mundo é que se faz necessária, mas o homem resiste a isto. Bill McKIBBEN, depois de assinalar que precisamos substituir "uma idéia do mundo por outra" (2). afirma que isto é sempre difícil no ser humano: "Procuraremos qualquer razão para não mudarmos nossas atitudes; a inércia da ordem estabelecida é poderosa. Se pudermos pensar numa razão plausível - ou mesmo implausível - para descartar as adversidades ecológicas, assim faremos"(3). Também o Pe. Fernado de BASTOS DE ÁVILA S.J. critica os anti-valores que norteiam o nosso mundo (altos padrões de consumo, escalada armamentista, exarcebação dos nacionalismos e tentativa de transformar o subdesenvolvimento em uma função permanente) e comenta: "Seria ingênuo, por exemplo, imaginar que os homens aceitassem espontaneamente a modificação de seus padrões de consumo, que se decidissem a buscar novas formas de realização humana e baixos custos ecológicos, numa palavra, a procurar uma alternativa para a sociedade de consumo" (3). Concluindo essa nossa conversa que esteve presente nas dez últimas remessas, diremos que o que se necessita realmente é rejeitarmos o atual modelo de desenvolvimento que levou à existência de países superdesenvolvidos e subdesenvolvidos, com injustiças sociais e depredação do meio-ambiente. Isso já é assunto para os próximos dias onde estaremos escrevendo algo sobre os problemas ecológicos e o juizo ético. _______________________________________________
  1. Glycon de PAIVA - "A Comissão Mundial...", cit., 28.
  2. Bill McKIBBEN - O fim da natureza. p.106. também Antônio MOSER, O problema ecológico... p.71 afirma que o problema "presupõe uma restruturaçãocompleta do modo de viver e relacionar-se, seja com a Natureza, seja com os outros homens".
  3. Bill McKIBBEN - O fim da Natureza, p.190.
  4. Pe. fernando de BASTOS DE ÁVILA S.J. - "O desafio ecológico" in CM. Rio de Janeiro, XXIV (285): 11-18, dez. 1978, p. 16. A busca de uma alternativa para a atual sociedade de consumo parece ser a cada dia, uma necessidade imperiosa.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

NEOLIBERALISMO

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Ecologia e Ideologia 9:


A questão ideológica ganha ainda mais importância nos dias de hoje com o surgimento do neoliberalismo. A ideologia neoliberal considera insubstituível a iniciativa individual e a economia de mercado, além do mecanismo livre dos preços (1). A aplicação dos postulados do neoliberalismo na consideração do meio ambiente seria desastrosa pois ele tem como característica a "apropriação privada dos bens públicos" e, considerando "que as condições ambientais são o suporte da vida, apropriar-se destes recursos e gerenciá-los de acordo com interesses privados significa deter o poder de determinar a qualidade e, até mesmo, a possibilidade de vida para uma coletividade"(2). O Neoliberalismo apresentaria assim uma espécie de prolongamentos da ideologia desenvolvimentista e seria tão nocivo quanto este. Outro acontecimento importante para a luta ecológica foi a criaçãod Comissão Mundial sobre Meio-Ambiente e Desenvolvimento em 1983 por iniciativa da Assembléia Geral das Nações Unidas. A presidência da Comissão foi entregue à norueguesa Gro Harlem Brundtland e, depois de estudar os problemas ecológicos durante três anos foi feito um relatório final que foi transformado em um livro intitulado Nosso Futuro Comum e publicado em várias línguas. Esta obra contém importantes colocações, inclusive relacionando o problema da pobreza com a ecologia, mas insiste ainda na noção de um "desenvolvimento sustentável", permanecendo dominado ainda pela ideologia desenvolvimentista. O "desenvolvimento sustentável é aquele que atende à necessidade imediata sem comprometer o futuro" (3). Sobre o problema da relação entre pobreza e neio ambiente aparecem algumas idéias interessante como essa que resolvemos destacar aqui: "Pobreza mundial e, simultaneamente, causa e efeito consequüente a problemas ambientais. por que problemas ambientais do Mundo são a causa essencial da pobreza mundial e da desigualdade internacional"(4). ________________________________________________________
  1. Cf. sobre o Neoliberalismo, Carlos Ruiz DEL CASTILLO - "Neoliberalismo" en DCS, v. II, pp.814-815; Paul HUGON - História das doutrinas econômicas, pp. 162-163; Emile JAMES - O pensamento econômico de século XX, v. I, pp. 255-257; Louis BAUDIN - Estatização ou Economia livre? A aurora de um novo liberalismo, pp. 180-182, 185-192, 205-206.
  2. CNBB - "A Igreja e a questão ecológica", cit., p. 213.
  3. Cf. resumo e citações em Glycon de Paiva - "A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente. Origem e ação" in CM. Rio de Janeiro, XXXV (420): 23-35, março 1990.
  4. Glycon de PAIVA - "A Comissão Mundia...", cit. p..25.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL

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Ecologia e Ideologia 8:


A gravidade do problema que estamos discutindo nessas últimas remessas deste blog mostra as dificuldades que encontramos ao colocarmos a Ecologia e a Ideologia frente a frente. Diríamos que vivemos um tempo que exige a todo instante redimencionamentos nas discussões sobre ecologia. Não se trata mais das realidades como nos primeiros movimentos preservacionistas e ambientalistas surgidos no Primeiro Mundo de uma luta "poética" ou de mera preservação do verde. A luta ecológica é uma luta política, econômica e, sobretudo, ideológica no sentido de ir ao cerne da questão. Como assinalou Ruy MOREIRA, o trabalhador inconscientemente ou não, "reage contra o uso do seu trabalho e da natureza que fazem os que dela se apropriam" (1). A visão é bem diferente da visão tradicional que nos proporciona o "ecologismo", cuja a pregação acabou incorporada pelo sistema dominante. O Terceiro Mundo, no entanto ao buscar um novo modelo mais justo e que ao mesmo tempo preserve a vida e supere a pobreza, pode incorporar algumas das preocupações ambientalistas de movimentos ecológicos europeus que estão na base de muitos problemas angustiantes vividos pelos habitantes do Terceiro Mundo(2). O Brasil na década de 70 mergulhou profundamente no sistema capitalista internacional, seguindo uma política desenvolvimentista. Alguns dos grandes projetos tocados a partir desta política, que aparecem em nossa memória neste momento, como a Hidroelétrica de Tucuruí, a Rodovia Transamazônica, o Polonordeste e outros, provocaram e ainda provocam grandes desastres ecológicos e depredação do meio ambiente (3). ________________________________________________-
  1. Ruy, MOREIRA - "Geografia, ecologia, edeologia a totalidade homem-meio espaço e processo de trabalho" in Geografia Teoria e Crítica. Petrópolis, vozes, 1982.
  2. Maurício, WADMAN - "Ecologia na perspectiva dos trabalhadores" in Tempo e Presença, 230: 4-5, maio 1988.
  3. Flávio LIMONCIC - "Impactos ambientais dos grandes projetos" in Tempo e Presença, 230: 9-10, maio 1988.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A TERRA ESTÁ DOENTE

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Ecologia e Ideologia 7:



O assunto que tratamos em nossa útima postagem acaba por apresentar vários outros problemas - novas peças para o mesmo jogo. Em primeiro lugar os países industrializados que produziram grande parte da atual contaminação do meio ambiente não querem diminuir as suas riquezas e mudar o estilo de vida dos seus habitantes e acenam para os países subdesenvolvidos procurando mostrar a sua responsabilidade na preservação do meio ambiente. Os países subdesenvolvidos temem criar obstáculos às suas economias em crescimento e exigem cada vez maior ajuda econômica para tomar medidas ecológicas (1). Nos países do Primeiro Mundo, os organismos ambientalistas e de defesa dos povos indígenas pressionam para que as instituições multilaterais de desnvolvimento condicionem a aprovação dos empréstimos à adoção de medidas de preservação do meio ambiente (2).
Seguindo essa linha, instituições como o Bird e o BID condicionam a liberação de fundos para o desenvolvimento às questões ambientais (3), utilizando a ecologia como pretexto para o monitoramento e uma ingerência nos países subdesenvolvidos. A própria "ajuda" dos países ricos aos subdesenvolvidos tem ficado bem abaixo do necessário (4).
A verdade é que os problemas ecológicos vão exigindo uma remodelação de nossas idéias e a derrubada de certas ideologias. A partir de um relatõrio do Clube de Roma (1972) já se admitiam Os limites do crescimento (5) e muitos ecologistas já se questionam sobre a existência do próprio futuro devido ao fato de Gaia (a Terra) estar doente (6).

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  1. Bil Mc KIBBEN - O fim da natureza. p. 194 assinala que 0 "pensamento de que as pessoas que vivem na pobreza, quer seja a pobreza desesperada ou apenas a pobreza deprimente reprimam seu desejo de uma vida marginalmente melhor só por causa de algo como o efeito estufa é absurdo".
  2. Steve SCHWARTZAWAN - "Desenvolvimento, meio ambiente e povos indígenas" in Tempo e Presença, 230: 11-13, maio de 1988.
  3. Mary Helena ALLEGRETTI - "Natureza e política externa brasileira" in Tempo e Presença, 230: 14-15, maio 1988.
  4. G. BARRACLOUGH e G. PARKER - Atals da história do mundo, 295.
  5. D. MEADOWS et al. - Limite do Crescimento. São Paulo, Perspectiva, 1972.
  6. Cf. J. LUTZEMBERGER - Fim do futuro? (manifesto ecológico brasileiro). Porto Alegre. Editora Movimento, 1980; IDEM - Gaia, o planeta vivo (por um caminho suave). Porto Alegre, L & PM, 1990.