quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Progresso na Civilização - Problemas do Progresso - A miséria e a fome 2:


Os dados sobre a pobreza no mundo atual são realmente alarmante. Dois terços de toda a população mundial são pobres e, cerca de 60 milhões de pessoas morrem de fome e de doenças derivadas da fome, sendo 30-40 milhões em consequência de desnutrição enquanto que uns 20 milhões (ou 17 milões segundo fontes mais precisas) são crianças (1).



Um especialista na matéria, depois de observar em 1982 que 20% da população mundial, ou seja, 800 milhões de pessoas que viviam em pobreza absoluta, "de tal sorte desprovida de recursos, de rendimentos e até de esperança", mostrou que metade deste grupo de pobres vive na Índia, Bangladesh e Paquistão, enquanto que outra grande parte se espalha através da Indonésia, África do Sul do Saara, Oriente Médio, América Latina e Antilhas.



O mesmo autor, citando dados da própria Organização das Nações Unidas mostra que 400 milhões de pessoas ou 10% da população mundial consumiram uma ração alimentar mínima crítica, necessária apenas para não morrer. A desnutrição combinada com falta de condições sanitárias teriam sido as responsáveis por 15 milhões das 17 milhões de mortes de crianças que morreram por ano - mais de 40 mil crianças por dia -, que poderiam ser poupadas (2).
________________________________________________
  1. Antônio MOSER - O problema ecológico... pp. 27-28; Leonardo BOFF - Ecologia, mundialização... pp. 24-25.
  2. Erick P. ECKHOLM - "Todos os dias morrem 40 mil crianças que podiam viver" in O Correio da Unesco. Rio de Janeiro, 10 (10-11): 27-29, out.-nov. 1982.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O Progresso na Civilização - Problemas do Progresso - A miséria e a fome 1:


O problema da miséria e da fome deve ser levantado aqui quando tratamos de Ecologia, porque é resultante do processo de desenvolvimento que provocou os grandes distúrbios e problemas ecológicos.


Em documentoda CNBB relacionado com a Campanha da Fraternidade de 1979 está dito que a miséria e a fome representam uma forma de poluição (1).


Muito se tem escrito a respeito da fome no mundo, o que mostra a importância do tema. Celso ANTUNES distingue entre a fome quantitativa provocada pela falta absoluta de alimentos


e a fome qualitativa ou fome oculta que é causada pelo consumo insuficiente de alimentos por uma grande quantidade de pessoas (2).



A fome quantitativa é assustadora, mas a fome qualitativa faz vítima em todos os paises da terra, principalmente entre as nações subdesenvolvidas. o regime médio alimentar de um indivíduo deve situar-se em 2500 calorias por dia, mas apenas 30% da população da Terra atinge a este nível, enquanto 70% - de acordo com estudos da FAO não consegue as 2500 calorias. Mais ainda, uns 25% desta população faminta chega a 2000 calorias, regime alimentar mediocre que não consegue sustentar um trabalhador (3).
_______________________________________
  1. Citado em A. MOSER - O problema ecológico... p. 27.
  2. Celso ANTUNES - Uma aldeia em perigo, p. 103.
  3. Celso ANTUNES - Uma aldeia em perigo, p. 103-104.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Progresso na Civilização - Problemas do Progresso :


O progresso que surge a partir da Revolução Industrial vai criando aos poucos as grandes concentrações urbanas e surgem metrópoles e magalópoles como New York, Tóquio, São Paulo, México, Calcutá, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Los Angeles e outras. A qualidade de vida decai e estas metrópoles com problemas de poluição, de criminalidade, deterioração de serviços públicos surgem "como um pesadelo no sonho do progresso linear em que se embalavam os teóricos do crescimento" (1).



Na América Latina, por exemplo, as previsões são pessimistas, pois a região que possuía 70% da população urbana em 1985 atingiu 76,4% da população urbana em 2000 e atingirá 85% em 2025. Centros urbanos como Cidade do México ou em São Paulo devem crescer mais do que Tóquio, New York, Los angeles ou Londres (2).



Os problemas que este progresso gerou não deve levar-nos a condenar completamente o progresso ou tentar mesmo uma regressão ao passado (o que seria impossível), mas deve levar-nos a repensar o modelo de desenvolvimento que adotamos. Este modelo de desenvolvimento promoveu a concentração de renda, a poluição e a grande maioria dos processos que levaram à degradação do meio físico (3).



Como veremos nas próximas postagens, este modelo provocou grande fome e miséria.
_________________________________________________
  1. Celso FURTADO - O mito do desenvolvimento econômico, 16-17.
  2. Joana A. PALMA - "O Crescimento rápido nas Américas" in SM, mar.-abr. 1991, p.7.
  3. Celso FURTADO - O mito do desenvolvimento econômico, p. 19.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O progreasso na civilização - A idéia de progresso ilimitado 2:


Um longo caminho havia sido percorrido desde o aparecimento do primeiro homem sobre a terra e o avanço tecnológico desde o início até hoje pode ser resumido assim:

  • Idade da tecnologia do Paleolítico Inferior............................ menos de 1.000.000 anos
  • Idade da tecnologia do Paleolítico Superior................................. 50.000 -30.000 anos
  • Idade da tecnologia neolítica, da agricultura e da domesticação de animais...................................................................................................9.000 anos
  • Idade da utilização de energia eólica para mover navíos..............................5.000 anos
  • Idade da utilização de energia hidráulica para mover moinho.....................2.000 anos
  • Idade da aplicação da ciência experimental à tecnologia................................350 anos
  • Idade da utlização de energia não-muscular, que não a eólica e a hidráulica....200 anos
  • Idade da utilização da Eletricidade................................................................120 anos
  • Idade da utilização do óleo mineral.................................................................60 anos
  • Idade da utilização da energia atômica........................................................... 30 anos



O presente quadro (1) elaborado em 1965-1966 pelo historiador inglês TOYMBEE dá bem a medida do avanço tecnológico do homem e, mostra a aceleraçãao do progresso a partir dos últimos 350 ou 200 anos atrás.



O início, no entanto foi modesto e a primeira grande revolução A Revolução Agrícola começou no Oriente Próximo a partir de 10.000 a.C. com o cultivo incipiente e a domesticação dos animais e, prosseguiu com a fundação de Jericó (8.000 a.C.) que recebeu depois torres e muralhas (7.000 a.C.) (2). Com a especiaalização das funções foram sendo formadas aos poucos as grandes cidades e a Revolução Urbana surge na Mesopotâmia a partir de 3500 a.C. junto com a escrita e a Civilização (3).



Os períodos posteriores mostram a humanidade evoluindo através da Idade do Bronze (c. 3200-1200 a.C.)



e do Ferro (1200-330 a.C) e a moeda que é cunhada na Líbia a partir de GIGES (687-652 a.C.) e na Grécia (c. 600 a.C.).



A economia clássica ou greco-romana permitiu o crecimento da população enquanto que o feudalismo na europa (Sécs. IX-XII) prende ao solo o camponês e aumenta a produtividade da zona de florestas temperadas (4).



Com a descoberta do Novo mundo e dos caminhos martítimos para a Índia e extremo Oriente (Séc. XVI) o mundo caminhou para uma certa unidade e o ritmo da História se acelerou impulsionado a partir do século XVIII por grandes inventos e tecnologia.



A Revolução Comercial dos séculos XVI-XVIII por grandes inventos e tecnologia.



A Revolução Industrial que nasce na Inglaterra a partir do século XVIII e, que a partir de 1850 penetra na Bélgica, na França, na Alemanha e nos Estados Unidos atingindo em 1900 a Suécia, a Itália do Norte e a russia. A Revolução Industrial chegou à India, à América do Sul e à Africa (5).



A partir da Revolução Industrial o homem inverte a relação que tinha com a natureza desde o início dos tempos. De dominado pela natureza ele passa a dominá-la e surge então a técnica e se desenvolve as ciências. O homem passa então a construir o seu universo e ditar o ritmo acelerado da história. Ele passa a ser o "Senhor do universo", desenvolvendo sempre novas formas de energia e obtendo sempre maior poder (6).




A idéia de progresso ilimitado surgiu portanto após a superação de uma série de obstáculos através da história e, quando desenvolveu a tecnologia o homem julgou-se vitorioso. Mas esta tecnologia está na verdade desafiando o homem e ameaçando levá-lo para um rumo não desejado nem planejado. Toda a habilidade do homem em manter o poder de planejamento, direção e controle do seu próprio futuro está sendo testada e colocada em xeque (7).
____________________________________________________________
  1. A. J TOYNBEE - O desafio de nosso tempo, p.31.
  2. Cf. Carlo M. CIPOLLA - A História Econômica da opulação Mundial, pp. 18-19.
  3. V. Gordon CHILDE - O que aconteceu na História, pp. 27, 94-118; IDEM - A Evolução Cultural do Homem, pp. 142-175.
  4. V. Gordon CHILDE - O que aconteceu na História, p. 28.
  5. Carlo M. CIPOLLA - História Econômica da População Mundial, pp. 26-27.
  6. Antônio MOSER - O problema ecológico... p. 24; IDEM - "Ecologia: desfio teológico e ético" in Revista Vozes, LXXIII, pp. 38-39, jan.-fev, 1979.
  7. A. J. TOYNBEE - O desafio de nosso tempo, p.39.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O progresso na civilização - A idéia de progresso ilimitado 1:



A idéia de progresso e desenvolvimento estão relacionados de forma íntima e, são conceitos relativamente recentes que não possuem mais que duzentos e poucos anos.



O antigo historiador J.B. BURY escreveu um livro inteiro a respeito, intitulado Idea of Progress: An Inquiry into its origins and Growth (A Idéia de Progresso: Investigação sobre suas orígens e expansão) que publicado em 1920 sustentava que só a partir do século XVII é que os homens puderam chegar a elaborar a noção de progresso. Embora pesquisas posteriores tenham mostrado a existência de uma certa noção de progresso entre alguns autores da Antiguidade Clássica e na Idade Média, na verdade, a noção de um progresso com desenvolvimento que temos bem presente nos dias de hoje recebeu realmente sua elaboração a partir dos séculos XVII e XVIII e atingiu seu zênite no período de 1750-1900 penetrando tanto na mentalidade popular como nos círculos intelectuais (1).



Foi portanto, apenas em meados do século XVIII que a História passou a ser compreendida como crecimento, desdobramento, florescimento e murchar de culturas e nações. Surgiu por esta época o termo "desenvolvimento" que aparece nos escritos dos pensadores alemães Johann Georg HAMANN (1730-1788) e Johann Gottfried HERDER (1744-1803) (2).



A idéia de que havia um progresso e um desenvolvimento na história human é portanto contemporâneo da Revolução Industrial e do Século das Luzes (Século XVIII) quando o homem passa a ter uma maior consciência de seu poder.
_____________________________________________
  1. Consulte-se a respeito, Robert NISBET - História de la idea de progresso, pp. 13 e 243.
  2. Erhard EPPLER - Pouco tempo para o Terceiro Mundo, p. 15.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Crescimento Populacional - A ética cristã e o problema demográfico:


A ética cristã procura enfrentar o problema demográfico de um ponto de vista diferente do colocadopor Malthus.



Ela prega a necessidade de haver uma colaboração em escala mundial para resolver os problemas econômicos e sociais e, salienta a importância de uma política demográfica correta que destine a promover os valores humanos e sociais. principalmente ela chama a atenção para melhor distribuição das riquezas, o que tornará o fantasma da superpopulação um mero fantasma. O problema demográfico tem que ser encarado como ligado aos outros problemas(1), e só perfeitamente compreensível quando relacionadocom os outros.



A ideologia malthusiana e neomalthusiana sofreu em 1974 na Conferência Mundial da População realizada em Bucarest uma derrota significativa (2) e, como ideologia anti-natalista ela procura esconder a verdadeira face do problema que está ligado, como já mostramos aqui neste blog, ao consumo desigual dos recursos humanos, a distinção entre países pobres e ricos e má distribuição populacional (3).

_______________________________________________
  1. Antônio MOSER - O problema ecológico... pp. 35-42
  2. Antônio MOSER - O problema ecológico... p. 52.
  3. Cf. Antônio MOSER - O problema ecológico... p. 52; IDEM - O problema demográfico... pp. 45-54.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Crescimento Populacional - Os números do problema demográfico 3:


De qualquer maneira, os números que apresentamos nas postagens anteriores tem preocupado alguns autores que tratam do problema demográfico e que se perguntam se poderemos encontrar uma forma de alimentar a todos os seres humanos no futuro (1).



O problema demográfico é um problema sério não só porque traz no seu bojo problemas sociais, econômicos, políticos, habitacionais, ideológicos, ocupacionais, sanitários, urbanísticos, ambientais e ecológicos (2), mas também porque coloca com clareza os problemas gerados pelo sistema econômico e deixar perceber claramente a formulação ideológica dos seguidores de Malthus, que procurando isolar as estratérgias do conjunto de outros problemas no qual o crescimento populacional está inserido, se colocam a especular qual será a população do Brasil daqui a 75 anos ou mesmo a 400 anos, baseado apenas no crescimento de 2,4% mostrado pelo recenseamento de 1980 (3).



A própria idéia de controlar a natalidade para fazer crecer a riqueza destina-se apenas a fazer crer que as estruturas sócio-econômicas dos países subdesenvolvidos são justas, não havendo necessidade de alterá-las.



Do resto, o surgimento da teoria de Malthus no início do século XIX fazia parte de uma tentativa de fortalecer o conservadorismo econômico abalado pelas revoluções francesa e norte-americana. Posteriormente, quando John START MILL publicou sua obra, o controle da natalidade voltou a ser cogitado e, recentemente, após o "Grande Despertar" dos povos subdesenvolvidos, a teoria de Malthus voltou a ser considerada como a grande saída conservadora (4).

__________________________________________________
  1. Cf. a respeito, Paul OVERHAGE - O Homem, Câncer da Terra? Petrópolis, Vozes, 1971;Bernard BERELSON - População: a crise que desafia o mundo. São Paulo, Cultrix, 1972; Garrett HARDIN- População, Evolução e Controle da Natalidade. São Paulo, CEN/EDUSP, 1967.
  2. Antônio MOSER - O problema ecológico... p. 20.
  3. J. O. de Meira PENNA - "Malthus e o princípio da população" in CM. Rio de Janeiro, XXXV (414): 11-28, set.-out. 1s989.
  4. Gunnar MYRDAL - Teoria econômica e região subdesenvolvida, pp. 175-177.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Crescimento Populacional - Os números do problema demográfico 2:


Continuação da análise do Quadro do Crescimento Demográfico:

Tomando-se o referencial apenas a partir da era cristã teríamos duplicações (segundo C. P. BELTÃO) em 1600 anos (1600), 250 anos (1850), 80 anos (1930) e 45 anos (1975). Em alguns países do Terceiro Mundo esta população chegou a dobrar em apenas 20 anos (1). Mas, a produção de alimentos, ao contrário do que afirma Malthus, aumentou bem mais depressa do que a própria população, tendo triplicado apenas no período de 1850-1950, enquanto a população apenas duplicou (2).



Os dados do quadro mostram também que em percentuais aconteceu um grande aumento populacional nos últimos tempos. Enquanto o aumento teria sido apenas 0,3% no período de 1650-1750, de 0,45% no período de 1750-1850 e 0,88% em 1920, passou para 1% em 1940, 1,12% em 1958. A população teria mais que duplicado no período de 1850-1950 devido principalmente ao crescimento das populações dos países subdesenvolvidos da África, América Latina e Ásia, que já concentravam mais de 80% da população mundial na virada do século (3).



Aqui reside um ponto importante e que ajuda a explicar a disseminação da ideologia malthusiana e neomalthusiana nos dias de hoje. No final do século XIX (1890) o novo industrialismo que havia transbordado da europa para o mundo parecia garantir aos europeus uma era de grande predomínio no mundo. Mas, se observarmos os cinquenta anos seguintes, ou seja, o período compreendido entre 1890-1940 tudo já havia mudado e, esta mudança se deu com a grande revolução demográfica acontecida no período, que ajudou a deslocar o centro da história da europa para a América e para a Ásia. O historiador Geoffrey BARRACLOUGH chamou a atenção para esta importante virada comandada pela demografia e que projetou não apenas os Estados Unidos e a então União Soviética, mas países como a China, a Índia, o Japão e o Brasil.



O centro mundial foi aos poucos se transferindo para outros continentes e, Geoffrey BARRACLOGH mostrou a ironia do destino no fato de que foram as próprias potências européias que sem o perceber despertaram na Ásia e na África forças que estão a desafiar a própria hegemonia da Europa (4).



Nos dias atuais, o movimento parece claro com a grande explosão demográfica que colocará quase toda a população mundial nos países subdesenvolvidos, que pressionados pela própria necessidade estão questionando o atual modelo econômico.

_______________________________________________

  1. Fritz BAADE - Economia Mundial da Alimentação, pp. 15-16; C. P. BELTRÃO - "A população mundial numa nova virada histórica" in Revista Vozes. Petrópolis, LXXIV (1), p26, jan.-fev. 1980; IDEM - Demografia, Ciência da População. Análise e teoria, pp. 34 ss.
  2. Fritz BAADE - Economia Mundial da Alimentação, pp. 15-16.
  3. Yves LACOSTE - Os países subdesenvolvidos, pp. 31-32.
  4. Geoffrey BARRACLOUGH - Introdução à História Contemporânea, Cap. III - "Uma Europa Menor", pp. 64-89.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O Crescimento Populacional - Os números do problema demográfico 1:


As correntes malthusianas e neomalthusianas sempre se basearam nos números para melhor alarmar a população mundial. E, realmente, se tomarmos a evolução da população mundial desde 700o a. C. até os dias de hoje e realizarmos algumas projeções para o futuro, os dados podem impressionar.

Vejamos o quadro abaixo:

Anos e Número de Habitantes:

7000 a. C ........................................................................... 10.000.000
4500 a. C. ........................................................................... 20.000.000
2500 a. C. ........................................................................... 40.000.000
1000 a. C. ........................................................................... 80.000.000
1 d. C. ........................................................................... 250.000.000
900 d. C. ........................................................................... 320.000.000
1650 d.C. ........................................................................... 500.000.000 (ou 515/517.000.000)
1750 d. C. ........................................................................... 705.000.000
1800 d. C. ........................................................................... 1.000.000.000
1850 d. C. ........................................................................... 1.171.000.000 (ou 1.100.000.000)
1900 d. C. ........................................................................... 1.608.000.000
1920 d. C. ........................................................................... 1.811.000.000
1930 d. C. ........................................................................... 2.070.000.000
1940 d.C
........................................................................... 2.295.000.000
1950 d. C. .......................................................................... 2.517.000.000 (ou 2.400.000.000)
1960 d. C. .......................................................................... 2.990.000.000
1970 d. C. .......................................................................... 3.706.000.000
1975 d. C. .......................................................................... 4.000.000.000
1977 d. C. .......................................................................... 4.100.000.000
1980 d. C. ......................................................................... 4.500.000.000
1989 d. C. .......................................................................... 5.200.000.000
1990 d. C. .......................................................................... 5.300.000.000
1992 d. C. .......................................................................... 5.500.000.000
1995 d. C. .......................................................................... 6.000.000.000
2000 d. C. .......................................................................... 7.000.000.000
2015 d. C. .......................................................................... 9.000.000.000 (previsão)
2100 d. C. ........................................................................ 35.000.000.000 (previsão)(1)


A análise do quadro acima deve ser feita com o devido cuidado, pois os números das épocas mais recuadas estão sujeitos a controvérsias entre os especialistas e, os números do futuro representam apenas previsões de demógrafos, que podem estar erradas. Aliás, como já assinalou um autor, nós "estamos acostumados a prognoses demasiadamente superficiais e errôneas, mesmo por parte de excelentes demógrafos" (2).



De qualquer forma, alguns dados podem impressionar devido à contínua aceleração do crescimento populacional. Notamos pelo quadro que tivemos oito duplicações sucessivas da população entre 7000 a. C. a 1950 d.C. e estas duplicações levaram 2500 anos, 2000 anos, 1500 anos, 1000 anos, 900 anos, 800 anos, 150 anos e 100 anos (segundo Fritz BAADE), o que daria na progressão geométrica de Malthus.
________________________________________________
  1. Cf. para o quadro, F.BAADE - Economia Mundial da Alimentação, pp. 15-16; Celso ANTUNES - Uma aldeia em perigo, p. 42; Antônio MOSER - O problema demográfico e as esperanças de um mundo novo, p.16; Leonardo BOFF - Ecologia, Mundialização..."A população mundial numa nova virada histórica" in R. Vozes, LXXIV (1), p. 26, jan.-fev. 1980; Francelino S. PIAUÍ - Homem e Poluição, pp. 70-71. p.24; C. P. BELTRÃO _
  2. P. OVERHAGE - Homem, Câncer da Terra, p. 15.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Crescimento Populacional - O crescimento Populacional e Ideologia 2:




A Teoria de Malthus





Thomas Robert MALTHUS (1766-1834), que no entender de um autor se situa na "linguagem austera e tenebrosa criada pelo Calvinismo" (1). e ocupava confortável posição na sociedade inglesa (era de família abastada) escreve o seu famoso Ensaio sobre a população (1978) no qual anuncia a sua célebre lei:

"A população, quando não controlada, crece numa progressão geométrica. Os meios de subsistência cresce apenas numa proporção aritmética" (2).

Ele quis dizer com isso que chegarímos em um tempo em que o mundo se encheria de gente, faltando assim o alimento necessário e, proliferando em consequência a desordem, a subnutrição e a fome.



A tese anti-natalista não era nova e já havia sido satirizada antes da época de Malthus por Jonathan SWIFT (1667-1745) em um escrito intitulado Modesta proposta para evitar que os filhos dos pobres sejam uma carga fazendo dos mesmos um artigo de alimentação (3). no qual propõe jocosamente que os pobres comessem os seus filhos para evitar a pobreza, a fome e o crecimento populacional. A Tese anti-natalista de MALTHUS foi desmentida também a posteriori, pois como assinalou acertadamente Mário da Silva PINTO, ninguém poderá comprovar esta tese em nenhuma época da história (4). No próprio século XVIII, cientistas vinham trabalhando em descobertas químicas e técnicas de produção que revolucionariam a agricultura e promoveriam o aumento da produção (5).



A teoria de Malthus foi desmentida não apenas teoricamente, mas praticamente (6) e, na própria Inglaterra, apesar do aumento populacional brutal, o padrão de vida do inglês em 1903 era bem melhor do que o padrão de vida da época de Malthus em 1798-1803. A própria mortalidade infantil decresceu na Inglaterra e a miséria diminuiu consideravelmente no período, se espalhando o bem-estar crecente por todas as camadas da população (7).



A teoria de Malthus serviu apenas para a elaboração de uma importante ideologia e seus seguidores procuram agir de modo global evitando os nascimentos e visando principalmente impedir a procriação dos pobres. Esta ideologia, no entanto, está falida e é combatida pelos partidários da auto-regulação (8) que conseguiram demonstrar que a solução é um sadio desenvolvimento econômico e social, que conseguiria com maior sucesso um equilíbrio demográfico.



Devemos portanto rechaçar a ideologia Malthusiana que em nossa época tem sido defendida por inúmeros anti-natalistas como Willian VOGT (8). O que se torna perigoso de verdade é a adoção de aticoncepcionais que levam ao envelhecimento das populações e procuram desta forma aniquilar as forças necessárias para a formação e um mundo novo (9).
________________________________________________________

  1. José Oswaldo de Meira Penna - "Duas éticas no conflito vital (a genealogia de uma idéia)"CM. Rio de Janeiro, XXXVI (423): 15-33, junho de 1990 p. 25. in
  2. Thomas R. MALTHUS - Ensaio sobre a População. Cap. 1 pp. 279-282, esp. p. 282 (Os economistas, pp. 273-384).
  3. Citado em Mário Victor de Assis PACHECO - Explosão demográfica e crecimento do Brasil. p.29.
  4. Kurt KLOETZEL - A questão do controle da natalidade, p. 11.
  5. Mário da Silva PINTO - "A doutrina de Malthus e suas limitações" in CM, XXXV (414): 12-27, nov. 1989, p. 14.
  6. Josué de Castro - O livro negro da fome, p. 31.
  7. Fritz BAADE - Economia mundial da alimentação, pp. 10-11.
  8. Cf. Antônio MOSER - O problema demográfico e as esperanças de um mundo novo, pp.25 ss.
  9. Cf. Josué de CASTRO - "Malthus y el Camino de la perdición" in Ensayos sobre el sub-desarrollo, pp. 59-65, esp. pp. 64-65. Cf. também Geografia da Fome onde defende a tese de que a superpopulação é consequência da fome.
  10. Cf. a respeito, Mário Victor de Assis PACHECO - Explosão demográfica... pp. 174, 179-180; J. I. H. GALLO - O mito da exolosão demográfica, pp. 45 e 187; E. GALEANO - As veias abertas da América Latina, pp. 17-18.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O Crescimento Populacional - O crescimento Populacional e Ideologia 1:




O crecimento populacional é outro problema que encontra-se disvirtuado pela ideologia. Desde o inicio dos tempos temos tido duas tendências que se enfrentam: uma é a populacionista e a outra anti-populacionista. No início predomina a tendência populacionista até na Grécia, após o "Século de Péricles" (Sec. V a.C.) começam a surgir restrições ao crecimento populacional. O historiador POLÍBIO (208-120 a.C.) já critica o despovoamento da Grécia no século II a. C. e, em Roma o crescimento da população permanece firme até que o imperadorAUGUSTO (27 a.C. - 14 d.C.) procura através de leis natalistas restringir a população. Com grande crise militar e política de 193-270 o Império Romano se despovoa e sua própria força diminui. Com a Idade Média (395-1453) a população volta a crecer e chega ao ponto ótimo no século XI (1). O crecimento da população redundou em proveito da economia feudal que entra então numa época de renascimento (2).



A Europa nos séculos XVI-XIX mostra países que se empobrecem com a falta de população, como a Espanha dos séculos XVII e XVIII esvaziada pela emigração para a América (3). enquanto que a população britânica quadruplicou no período de 1801.-1916, a dos Países Baixos triplicou e as da Alemanha, Suíça, Bélgica e Suécia foram multiplicadas por 2,5 vezes. Só a França aumentou apenas 50% no período e a sua economia curiosamente exibia no início do século XX taxas de produtividade bem menores do que a alemã (4).



Estes dados históricos mostram que a ideologia que prega o controle da natalidade não possui bases históricas sólidas. Na verdade esta idéia de controle da natalidade pode ser encontrada na China com CONFÚCIO (551-479 a.C.) e na Grécia com PLATÃO (427-347 a.C.) e ARISTÓTELES (384-322 a.C.), mas ganha forças ideológicas em nossos dias com o Neo-Malthusianismo que busca inspiração em Thomas R. MALTHUS (5).
_____________________________________________________

  1. Cf. Alfred SAUVY - Elementos de Demografia, pp. 218-220; IDEM - A População, p. 103.
  2. Henri PIRENE - As Cidades da Idade Média, pp. 67-68.
  3. A. SAUVY - Elementos de Demografia, p. 220.
  4. A. SAUVY - Elementos de Demografia, pp. 223-224.
  5. Cf. a respeito desta ideologia o interessante verbete de Luis de la Rasilla SANCHEZ - ARJONA - "Malthusianismo" in DCS, pp. 712-713.