

As atitudes de
Jesus Cristo e
São francisco de Assis perante a natureza e a vida servem aqui de paradigma ideal.
Jesus Cristo é o é o elo que une todas as criaturas (1) ligando o divino ao humano. Só
Cristo é que na verdade vive a
Criação em sua plenitude (2).
SÃO FRANCISCO DE ASSIS (1182-1226) é outro exemplo de ligação profunda do homem com a natureza, exemplificado principalmente pelo seu
"Cântico do Irmão Sol"(3), de grande beleza e humanidade e, que segundo Jacques HEERS (4)
"está perfeitamente de acordo com o gosto dos cidadãos de Frorença". Ele possuía
"uma atitude ingênua e livre perante as pessoas e os acontecimentos, que o faziam ser sempre igual a si mesmo. Alma de poeta, amava a vida e a natureza, sabia captar a linguagem das coisas e, sob o influxo da fé descobria, sem esforço, a realidade de Deus em tudo o que existe"(5). Segundo seu biógrafo Tomás de CELANO ele se encantava com o sol, a beleza das flores e
"pregava-lhes como se fossem dotadas de inteligência", além de ter um grande sentido de fraternidade que se revela no costume que tinha de dar o nome de
"irmãs a todas as criaturas" (6).
São Francisco de Assis lia no coração das coisas e, a partir de sua mística de confraternização universal procurava tratar todas as coisas com respeito e veneração. Nele se nota uma síntese importante de uma
ecologia exterior e de uma
ecologia interior (ecologia da mente) que se reflete nos seus hinos e orações. Em
São Francisco notamos toda uma suavidade, ternura e vigor juntos como nunca havia aparecido em nenhum religioso do Ocidente. Ele resgata toda a idéia da
Criação e mostra que o
Paraíso não se perdeu totalmente (7).

Os exemplos de
Jesus Cristo e
São Francisco de Assis são de grande importância para o surgimento de uma
nova atitude de homem frente à natureza. Todo o processo de desenvolvimento para ser efetivo de agora por diante deve ter como objetivo básico restabelecer a paz e a harmonia com a natureza. para isso o homem deverá abandonar a sua mentalidade egoísta e mesquinha, superar o
antropocentrismo e valorizar a vida no seu sentido amplo (ou seja, a vida dos seres humanos e dos outros seres) aprendendo a conviver com os seus semelhantes e com os demais seres vivos.
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- Cf. Leonardo BOFF - O Evangelho do Cristo Cósmico, pp. 67-70.
- Antônio MOSER - O problema ecológico... p.60.
- Cf. "Cântico ao Irmão Sol" in REB, 52 (205), p. 4.
- Jacques HEERS - História Medieval, p. 151.
- Lázaro IRRIARTE O. F. M. - História Franciscana, p. 4.
- Citado em A. MOSER - O problema ecológico... p. 61.
- Cf. a respeito, Leonardo BOFF - Francisco de Assis, ternura e vigor, passim; IDEM - "A não-modernidade de São Francisco" in R. Vozes, LXIX, junho-julho 1975; IDEM - Ecologia, mundialização... 52-54.