A maior parte dos pobres e famintos estão como dissemos no Terceiro Mundo. Escrevendo em 1986, mas refletindo dados de antes (1980-1982), um autor chegou na ocasião a calcular a população total da Terra em 4.600.000.000 de habitantes (sendo 1.200.000.000 nos países desenvolvidos e 3.400.000.000 nos subdesenvolvidos), dos quais 800 milhões viveriam em pobreza absoluta (150 milhões nos países desenvolvidos e 650 milhões nos países subdesenvolvidos) (1).
A fome e a desnutruição atingem esses pobres e torna a situação cada vez mais dramática. Dados fornecidos por organismos internacionais indicam que a subalimentação (menos de 2000 calorias por dia) afeta 28% da população da Ásia, 25% da África e 13% da América Latina. O que é mais escandaloso é que as reservas mundiais são suficientes para garantir a todos 3000 calorias e 65 gramas de proteínas por dia, ou seja, mais do que o mínimo necessário para uma vida normal.
No entanto, 43% das reservas de cereais são consumidas pelo gado dos países ricos no sentido de satisfazer o seu consumo exagerado de proteínas animais. Muitos países subdesenvolvidos e que passam fome também exportam alimentos para as pessoas e animais dos países ricos (2),
em evidente equívoco só explicado pelo nosso louco modelo equivocado de desenvolvimento.
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- Glycon de PAIVA - "Pobreza e fome no mundo" in CM. Rio de Janeiro, 32 (373): 3-27, abr. 1986, p.4.
- "FOME, POPULAÇÃO, AMBIENTE" in O Correio da Unesco. Rio de Janeiro, 10 (10/11) p. 23, out.-nov. 1982.